Redes da Deep Web: Freenet – #8

Freenet é um software livre que permite que você anonimamente compartilhe arquivos, navegue e publique “freesites” (websites acessíveis apenas através da Freenet) e converse em fóruns, sem medo de censura. Freenet é descentralizado para torná-lo menos vulnerável a ataques, e se usado no modo “darknet”, onde usuários conectam-se apenas a seus amigos, torna-se muito difícil de ser detectado.

Temos um vídeo sobre essa rede, dê uma olhada antes de ler 😉

Comunicações através de nós Freenet são criptografadas e são roteadas através de outros nós para tornar extremamente difícil determinar quem está requisitando a informação e qual é o seu conteúdo.

Freenet-Print

Usuários contribuem com a rede dando largura de banda e uma parte de seus discos rígidos (chamado de “armazenamento de dados”) para armazenar arquivos. Os arquivos são automaticamente mantidos ou excluídos dependendo de quão populares eles são, com o menos popular sendo descartado para dar lugar a um conteúdo mais recente ou mais popular. Os arquivos são criptografados, e de modo geral, o usuário não pode facilmente descobrir o que está armazenado, e esperamos que não possa ser responsabilizado por conta disso. Fóruns de discussão, sites e funcionalidade de pesquisa, são todos construídos sobre este distribuído armazenamento de dados.

Freenet já foi baixado mais de 2 milhões de vezes desde que o projeto começou, e é utilizado para a distribuição de informações censuradas, em todo o mundo, incluindo países como a China e o Oriente Médio. Ideias e conceitos pioneiros na Freenet têm tido um impacto significativo no mundo acadêmico. Nosso artigo 2000 “Freenet: A Distributed Anonymous Information Storage and Retrieval System” (Freenet: Um Sistema Anônimo de Distribuição, Armazenamento e Recuperação), foi o mais citado dos 2000, de acordo com o Citeseer, e Freenet também inspirou artigos no mundo do direito e da filosofia. Ian Clarke, o criador do Freenet e coordenador do projeto, foi selecionado com uma das 100 pessoas mais inovadoras de 2003, pela revista MIT’s Technology Review.

logo

Um importante desenvolvimento recente, que poucas outras redes possuem, é a “darknet”: Por conectar-se apenas a pessoas nas quais confiam, os usuários podem reduzir significativamente sua vulnerabilidade, e ainda se conectar a uma rede global através de amigos de seus amigos e assim por diante. Isso permite que as pessoas façam uso do Freenet mesmo em lugares onde Freenet seja ilegal, tornando muito mais difícil para os governos bloqueá-lo, e não depende de encapsulamento para o “mundo livre”.

A FILOSOFIA POR TRÁS DA FREENET


Escrito por Ian Clarke

1. Comunicado de isenção

Há muitas razões para que as pessoas se envolvam no Projeto Freenet. Algumas compartilham as opiniões descritas neste documento; algumas compartilham variações desses pontos de vista, os quais também se servem do que tentamos alcançar; e algumas pessoas apenas desfrutam do desafio técnico. Estas são as ideias que me motivaram a arquitetar o sistema em primeiro lugar, mas não necessariamente representa o ponto de vista de todos os envolvidos no Projeto Freenet.

2. A importância do livre fluxo de informação

Liberdade de expressão, na maioria das culturas ocidentais, é geralmente considerada como um dos mais importantes direitos que qualquer indivíduo pode ter. Por que a liberdade de compartilhar ideias e opiniões é tão importante? Há várias maneiras de responder esta questão.

2.1 Comunicação é o que nos faz humanos

Uma das diferenças mais óbvias entre o ser humano e o restante do reino animal é nossa habilidade para comunicar conceitos abstratos e sofisticados. Enquanto descobrimos constantemente que a capacidade de comunicação dos animais é mais sofisticada do que anteriormente se supunha, é improvável que qualquer outro animal se aproxime do nosso nível de capacidade nesta área.

2.2 Conhecimento é bom

A maioria das pessoas, dada a opção de saber alguma coisa ou não saber nada, escolherá ter mais informações ao invés de menos. Guerras têm sido ganhas e perdidas por quem estava melhor informado. Isso porque, estando melhor informados nos permite tomar melhores decisões, e, geralmente melhorar nossa capacidade de sobreviver e de ser bem sucedido.

2.3 Democracia pressupõe uma população bem informada

Muita gente hoje vive sob governos democráticos, e aqueles que não, provavelmente queiram. Democracia é uma resposta para a questão de como criar líderes, ao mesmo tempo que os impede de abusar deste poder. Ela consegue isso dando à população o poder de regular seu governo através do voto, mas, a capacidade de votar não significa necessariamente que você viva em um país democrático. Para uma população regular seu governo de maneira eficaz, deve saber o que ele está fazendo, deve estar bem informada. Trata-se de um laço de reação, mas este laço pode ser quebrado se o governo tiver o poder de controlar as informações que a população tem acesso.

3. Censura e liberdade

Todo mundo valoriza sua liberdade, na verdade, muitos consideram-na tão importante que morrerão por ela. As pessoas gostam de pensar que são livres para formar e manter as opiniões que quiserem, particularmente, nos países ocidentais. Imagine agora que alguém tenha a capacidade de controlar a informação que você acessa. Isso seria como lhe dar a capacidade de manipular suas opiniões, ocultar fatos, apresentando-os como sendo mentiras e censurando qualquer coisa que contradiga essas mentiras. Isto não é uma ficção Orwelliana, é uma prática padrão para a maioria dos governos ocidentais, mentir para a população, tanto é assim, que agora as pessoas têm isso como certo, apesar do fato de que isso contraria os próprios princípios democráticos que justificam a existência do governo.

4. A solução

A única maneira de garantir que uma democracia vai manter sua eficácia é assegurar que o governo não possa controlar a capacidade da população de compartilhar informação, de comunicar-se. Absolutamente tudo o que vemos e ouvimos é filtrado, não somos verdadeiramente livres. O objetivo da Freenet é permitir que duas ou mais pessoas que queiram compartilhar informação, façam isso.

5. Não é necessária a censura, as vezes?

Obviamente nenhum problema é preto e branco, e há muitos que consideram que a censura seja uma coisa boa em algumas circunstâncias. por exemplo, em alguns países europeus propagar informações consideradas racistas é ilegal. Os governos procuram evitar que as pessoas defendam ideias que são consideradas prejudiciais para a sociedade. Existem no entanto, duas respostas para isso. A primeira é que não se pode permitir que aqueles que estão no poder imponham uma “boa” censura, sem que lhes permitam impor uma censura “má”. Para impor qualquer forma de censura um governo deve ter a capacidade de monitorar, e assim, acaba por restringir a comunicação. Já existem críticas de que a censura anti-racismo em muitos países europeus está dificultando a análise histórica legítima de eventos, tais como a segunda guerra mundial.

O segundo argumento é que esta “boa” censura é contra-produtiva, mesmo quando ela não vaza para outras áreas. Por exemplo, geralmente é mais eficaz tentar persuadir alguém de algo apresentando os argumentos contra, e então responder a estes argumentos. Infelizmente, impedindo as pessoas de estarem cientes dos argumentos sofisticados, muitas vezes utilizados por racistas, torna-os vulneráveis a eles, quando eventualmente os encontram.

Obviamente o primeiro argumento é o mais forte, e ainda assim, mantém-se como verdadeiro, mesmo se você não aceitar o segundo. Basicamente, ou você quer ter a censura, ou você não quer. Não há meio termo.

6. Mas, por que é necessário o anonimato?

Você não pode ter liberdade de expressão, sem a opção de permanecer anônimo. A maioria da censura é retrospectiva, geralmente é mais fácil reduzir a liberdade de expressão punindo aqueles que a exercem depois, em vez de impedi-los de fazer primeiro. A única maneira de prevenir isso é permanecer anônimo. Há uma crença comum de que não se confiar em informações anônimas. Isto não é necessariamente uma verdade, usando assinaturas digitais seguras as pessoas podem criar pseudônimos anônimos, que com o tempo, as pessoas aprendem a confiar. Freenet incorpora um mecanismo chamado de “subespaços” para facilitar isso.

7. E o direito autoral?

Claro que muito da publicidade do Freenet está centrado em torno da questão do direito autoral, então falarei brevemente sobre ele. O principal problema com o direito autoral é que a aplicação dele exige monitoramento das comunicações, e não se pode ter garantia de livre expressão enquanto se é monitorado em tudo o que se diz. Isso é importante, a maioria das pessoas não consegue ver ou abordar este ponto quando debate sobre a questão do direito autoral, então, deixe-me esclarecer:

Você não pode garantir liberdade de expressão, cumprindo a lei de direito autoral. É por esta razão que Freenet, um sistema concebido para proteger a liberdade de expressão, deve impedir a aplicação do direito autoral.

8. Mas, como os artistas serão recompensados pelos seus trabalhos, sem o direito autoral?

Primeiramente, ainda que o direito autoral fosse a única maneira de recompensar um artista pelo seu trabalho, eu afirmaria que a liberdade é mais importante do que ter artistas profissionais (aqueles que afirmam que não teremos mais arte, não entendem de criatividade: as pessoas sempre criarão, é uma compulsão, a única questão é saber se eles podem fazer isso para sobreviver).

Em segundo lugar, poderia ser questionado se o direito autoral é eficaz, neste momento. A indústria da música é uma das mais veementes vozes contra o avanço da tecnologia da comunicação, ainda assim, de acordo com muitos artistas que deveriam ser recompensados por direito autoral, ela deixa de fazê-lo. Em vez disso, permitiu que intermediários ganhassem controle sobre os mecanismos de distribuição, em detrimento de artistas e público.

9. Alternativas ao Direito Autoral

Felizmente, isso não vai acontecer. Há muitas formas de recompensar os artistas. A mais simples é o pagamento voluntário. Esta é uma extensão do clientelismo que era frequentemente usado para premiar artistas antes dos direitos autorais, onde uma pessoa rica financiava um artista para que ele pudesse criar em tempo integral. A Internet permite uma interessante extensão desta ideia, onde em vez de apenas um rico patrono, você poderia ter centenas de milhares, contribuindo com pequenas quantias em dinheiro através da internet.

Nós realmente praticamos o que pregamos no que se refere a este assunto, no dia 15 de março de 2001, o Projeto Freenet iniciou o pedido de doações, e em uma semana já tínhamos coletado mais de 1000 dólares.


Site do Projeto.

Temos um tutorial no Youtube, dá uma olhada clicando nesse link!

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