Não, a Deep Web não é o que você provavelmente pensa que é

Desde os primórdios desse blog, bem como a página que deu origem a ele, nossa equipe vem fazendo um trabalho de conscientização acerca do que é exatamente, de forma real e sensata, a Deep Web. Porém, cada vez mais vejo pessoas e sites dizendo exatamente o contrário, em boa parte por ignorância, e em outros lugares por quantidade de visualizações.

Muitas pessoas acreditam, em boa parte por publicações tendenciosas e sensacionalistas, que a Deep Web é um antro de coisas erradas, uma terra sem lei sem utilidade alguma, com finalidade única de disseminar o crime e conteúdo ilícito, mas estão erroneamente enganadas. Mais ainda que publicações, grandes meios de mídias, como televisão, por vezes, trouxeram conteúdo extremamente sensacionalista (queriam eles alienar pessoas?), e diversas pessoas caem na lábia desses. Todo o conteúdo aqui apresentado pode e deve ser consultado acerca de sua veracidade, a internet é uma grande fonte de conhecimento, principalmente acerca de meios que correspondam à alguma vertente da Web, como as DarkNets, aqui tratadas. Se você acha que a Deep Web é como citada acima, esse artigo É PRA VOCÊ! Caso contrário, você ainda terá muito a aprender aqui, ou mesmo direcionar seus amigos pra essa publicação.

Antes de mais nada, é interessante que você entenda a diferença entre Deep Web propriamente dita, e uma DarkNet. Pra isso, recomendo que leia esse artigo, feito pelo Marcelo, que explica direitinho essa parte.

Situado acerca dessas diferenças, e significados, estamos aptos a prosseguir.

 Antes de mais nada, pra poder ponderar os pontos acerca das DarkNets, é interessante entender exatamente o que elas oferecem. Sendo um tanto complexo de tomar todas como base, por terem características diferentes, por isso tomarei como base para esse artigo as redes Onion (Tor) e I2P.

Ambas as redes citadas, oferecem diversos serviços, como email, mensageiro, IRC e navegação em hidden services (sites), bem como criptografia de alto nível. Porém, em que tipo de situação isso se torna viável? O Anonimato e a criptografia existente nessas duas redes permitem acima de tudo que pessoas façam coisas sem necessariamente ter a chance de ser identificadas, e o que a mídia sensacionalista prega é que essas funcionalidades só são interessantes pra quem quer fazer algo errado, certo? Mas essa afirmação está ERRADA. Anonimato e criptografia são aliadas fortíssimos da privacidade, e parando para analisar de forma coerente, quem precisa de privacidade? Essencialmente, todo mundo. E se você discorda, e acha que se não deve, não há motivos para ter privacidade, remetamos ao caso Snowden, onde foi levado a público que os EUA estavam espionando o mundo, e o quão errado isso era, a quantia de pessoas que foram extremamente contra, mesmo sendo elas americanas.

Não ficou claro, ainda? Pois bem. Vivemos na era da informação, onde tudo que é do mundo real, é rapidamente transformado em dados e enviado pela rede para uma quantia específica de pessoas, seja isso “público” ou privado. Agora imaginemos o que poderia ocorrer caso os dados que deveriam ser privados, não o fossem, por não utilizar um meio privativo pra esse envio. Pra ilustrar melhor isso, pensemos no seguinte cenário:

Uma empresa X do ramo Y envia dados de forma “privada” pra uma de suas filiais, porém os dados são interceptados, porque a mesma não investiu numa forma segura e privada pra enviar esses dados. No meio do caminho, os dados podem ser interceptados por uma quantidade imensurável de pessoas, baseado na qualidade da segurança aplicada nessa(s) rede(s). Porém, mesmo que a segurança seja praticamente máxima, ainda haverão órgãos de governos que poderão acessar esses dados, muitas vezes por provedores darem livre acesso aos seus governos. Esses dados seriam interceptados e lidos de forma livre por quem o interceptasse. E como isso tudo ocorre “por baixo dos panos”, a ética tende a ficar de lado, pois ninguém irá fiscalizar aquilo que os interceptadores farão com os dados obtidos.

Esse cenário é totalmente empresarial, mas agora voltemo-nos pra um cenário mais específico, onde fica mais clara essa necessidade: Num país onde a corrupção reina (qualquer coincidência é mera semelhança), um jornalista descobre alguns esquemas de favorecimento pessoal ilegal por parte de algum partido político, e resolve divulgar esses dados abertamente, pra todos terem acesso à isso. Ele o faz de forma pública, diretamente pelo jornal onde trabalha. Logo, passa a sofrer perseguição por parte daqueles que ele expôs, e por vezes isso ocorre de maneira tão cruel que pode levar à morte.
Situação complexa, não? Mas e se eu disser que a Deep Web poderia ajudar, o que você me diz?

Uma DarkNet poderia preservar o anonimato desse jornalista, permitindo-o publicar o que encontrou na rede, o que gera muita visualização e permitiria que qualquer site compartilhasse essa informação, sem que ele prejudicasse sua imagem, ou pior, corresse qualquer tipo de risco por ter divulgado algo sigiloso (porém ilegal) de outrém.

Essa situação pode parecer ainda muito específica, e você poderia dizer que a Deep Web só serve pra jornalistas, mas está também errado. Em diversos países, as pessoas não possuem um alto nível, ou ainda nenhum nível, de liberdade de expressão. Nesses casos, o governo pode destruir direitos das pessoas sem que outros lugares vejam, pois as pessoas nada poderão fazer, e muitas vezes ainda tem redes sociais ou coisas do gênero bloqueadas, bem como suas conexões padrão monitoradas. Nesse sentido, ao utilizar-se de uma DarkNet, ela preserva seu direito de liberdade, exerce o mesmo e ainda tem a chance de fazer algo realmente bom pela sua pátria, expondo crimes e atos desumanos à todo o mundo, podendo assim chegar à organizações como a ONU, que poderão tomar as medidas cabíveis quanto a isso.

Esse artigo fica por aqui, pois já ficou um tanto extenso, e seu foco era mostrar um bom lado das DarkNets, tão criticadas mundo afora.

Até a próxima 😉

4 comentários em “Não, a Deep Web não é o que você provavelmente pensa que é

  • 11 de março de 2017 em 21:40
    Permalink

    gentilmente, vcs poderiam tirar o sinal indicativo de crase de “deu origem à ele”

  • 11 de março de 2017 em 21:41
    Permalink

    se uma pessoa está “mas estão erroneamente enganadas” quer dizer que ela está correta.

  • 11 de março de 2017 em 21:45
    Permalink

    trocaria: “Mais ainda que publicações, grandes meios de mídias, como televisão, por vezes trouxeram conteúdo extremamente sensacionalista (queriam eles alienar pessoas?), e diversas pessoas caem na lábia desses.”

    por:
    “Mais ainda que publicações, grandes meios de mídias, como televisão, por vezes, trouxeram conteúdo extremamente sensacionalista (queriam eles alienar pessoas?), e diversas pessoas caem na lábia desses.”

    • 23 de abril de 2017 em 21:31
      Permalink

      Editado! Obrigado pela dica 😀

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